Política

Desafios de Flávio para anistiar Jair e Eduardo Bolsonaro

Redação · 12 de out. de 2026, 12:53
Desafios de Flávio para anistiar Jair e Eduardo Bolsonaro

A possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no próximo dia 25 de outubro poderia abrir alternativas políticas para buscar a revogação das penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal a Jair e Eduardo Bolsonaro. Contudo, tais medidas não seriam decisões que dependem apenas do novo presidente eleito.

Atualmente, Jair cumpre uma pena de 27 anos e três meses em prisão domiciliar decorrente de sua participação na tentativa de golpe, enquanto Eduardo começou a cumprir sua condenação de quatro anos e dois meses por coação no decorrer do processo e continua residindo nos Estados Unidos.

Flávio já se comprometeu a procurar uma saída jurídica para a situação do pai. No entanto, a questão se complica pelo entendimento legal, visto que o presidente não tem a autoridade para conceder anistia de forma unilateral.

Anistia sujeita ao Congresso

Segundo a Constituição, o poder de anistiar é uma prerrogativa do Congresso Nacional, que deve aprovar uma lei antes que o presidente possa sancioná-la. Um governo de Flávio poderia ajudar a montar apoio e sancionar um projeto de lei, mas primeiro ele precisaria conquistar a maioria no Legislativo.

O novo Congresso, que emergirá das eleições de outubro, teve um viés mais à direita, além de fortalecer o PL, o que pode criar um ambiente político mais favorável para essa discussão. Contudo, ainda assim será necessário negociar com partidos centristas e lidar com o debate jurídico sobre quais tipos de crimes anistiar.

Presença de Eduardo e a situação após decisão de Moraes

Eduardo Bolsonaro, que possui um mandado de prisão ativo no Brasil, permanece nos Estados Unidos.

Decisão do STF em relação a Eduardo pode ajudar Flávio na campanha?

Os especialistas divergem sobre como a decisão de Alexandre de Moraes pode refletir na eleição, podendo tanto fortalecer a narrativa de Flávio contra o STF, quanto favorecer Lula.

No que diz respeito a Jair, a situação é ainda mais complicada por conta da gravidade de sua condenação, que envolve crime de golpe de Estado, tentativa de desestabilizar a democracia e formação de organização criminosa armada. Uma proposta de anistia que visasse esses crimes provavelmente seria analisada pelo STF, que já possui jurisprudência em defesa do Estado Democrático de Direito.

Portanto, qualquer lei aprovada pelo Congresso que vise a anistia poderia ser novamente contestada na Corte.

Indulto presidencial e suas possíveis contestações

Flávio poderia optar por um caminho alternativo e mais célere: o indulto. O presidente tem a autoridade, segundo a Constituição, para conceder indulto e comutar penas. Diferentemente da anistia, esse procedimento pode ser realizado através de um decreto sem a necessidade de votação no Congresso.

Entretanto, o histórico do caso de Daniel Silveira levanta preocupações. Em 2022, Jair Bolsonaro concedeu um indulto a Silveira imediatamente após sua condenação pelo STF, mas em 2023 o Supremo anulou essa ação, alegando desvio de finalidade ao beneficiar um aliado político.

Um decreto assinado por Flávio que tenha como alvo direto o pai ou o irmão poderia se deparar com contestações semelhantes. O vínculo familiar seria utilizado nas argumentações apresentadas ao STF como evidência de descumprimento do princípio da impessoalidade e desvio de finalidade, mas a decisão final dependeria do julgamento da Corte.

Consequências da extinção de penas

Ainda que um eventual indulto ou anistia seja considerado válido, isso não elimina automaticamente todas as consequências electorais da condenação. Um indulto que encerre a pena de Jair não restauraria prontamente suas qualificações eleitorais.

Assim como Jair, Eduardo também viu seus direitos políticos suspensos após a confirmação de sua condenação. Além disso, Moraes determinou a execução da pena, o cancelamento de seus passaportes e outras implicações legais dessa decisão.

O impacto de uma possível anistia ou indulto sobre essas implicações legais resultaria em uma nova disputa judicial. Dessa forma, o triunfo de Flávio nas eleições poderia trazer a questão da libertação de seu pai e a situação jurídica de seu irmão como prioridades na interseção entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário a partir de 2027, já que o novo presidente teria recursos para pleitear a extinção das penas, mas isso não garantiria um desfecho imediato.