Embraer (EMBJ3) tem entregas divergentes entre bancos após recorde

Apesar do recorde alcançado no terceiro trimestre, as entregas da Embraer (EMBJ3) não atingiram as expectativas de mercado, levando a análises divergentes entre JP Morgan e Santander.
16:30 - atualizado às 16:19 Imagem do jato executivo PRAETOR 500. - Imagem: Divulgação O novo marco de entregas não trouxe consenso sobre o desempenho da fabricante. Embora a Embraer tenha apresentado seu maior volume de entregas em um terceiro trimestre, as análises da JP Morgan e do Santander revelaram diferentes interpretações.
O JP Morgan teve uma visão mais pessimista, argumentando que as entregas não alcançaram suas previsões, o que se traduz em uma perspectiva negativa no curto prazo. Em contraste, o Santander analisou o resultado sob uma ótica mais otimista e o considerou moderadamente positivo.
As ações da Embraer na bolsa brasileira já sentem a influência dessas diferentes avaliações. No pregão de sexta-feira (2), as ações enfrentaram oscilações, começando com uma queda de cerca de 1,76%, mas às 15h elas mostraram uma alta de 1%.
Entregas Recordes da Embraer
No terceiro trimestre de 2026, a Embraer conseguiu entregar 66 aeronaves, atingindo um recorde para o período, representando um aumento de 6% em comparação ao ano anterior. No total acumulado até agora, foram 175 aeronaves entregues, em comparação com 153 no total de 2025.
Dentre elas, destacam-se 22 aeronaves comerciais, superando as 20 entregues no mesmo trimestre do ano passado. A companhia também entregou 41 jatos executivos, com números estáveis em relação à comparação anual, e três aeronaves destinadas à Defesa e Segurança, incluindo um C-390 Millennium e dois A-29 Super Tucanos.
Entretanto, para o mercado financeiro, apenas bater recordes não é suficiente; é necessário ultrapassar as expectativas definidas pelos analistas. E foi precisamente nesse ponto que JP Morgan e Santander divergiram.
Análise do JP Morgan
O JP Morgan havia projetado 70 entregas para o período. No entanto, embora a Embraer tenha reportado 66, a instituição considerou 64 na sua análise, excluindo os Super Tucanos, que não faziam parte de suas previsões iniciais.
Deste modo, a entrega ficou cerca de 9% abaixo do esperado, levando o JP Morgan a adotar um tom levemente negativo quanto ao curto prazo.
Apesar disso, essa cautela não resultou em alteração na recomendação de investimento, que permanece como overweight (equivalente à compra) para as ações da EMBJ3.
Na última avaliação, divulgada em agosto, o banco estabeleceu um preço-alvo de R$ 135 para os papéis brasileiros, o que representa um potencial de valorização de 39,1%, além de um preço-alvo de US$ 104 para o ADR da EMBJ listado em Nova York, ambos previstos para o final de 2027.
Perspectiva do Santander
Por outro lado, o Santander teve uma interpretação divergente e considerou o recorde alcançado pela Embraer como moderadamente positivo, mesmo que as entregas tenham ficado abaixo de suas próprias expectativas.
O banco também havia projetado 70 aeronaves neste período e, com as 66 entregas efetivas, o resultado apresentou uma diferença de 5,7% a menos.
Para o Santander, a constância nas entregas é mais relevante que o número total. Os dados mostram que a Embraer está conseguindo distribuir sua produção de maneira mais eficiente ao longo do ano, evitando a concentração no último trimestre. Isso pode contribuir para uma maior regularidade na geração de caixa.
Ainda, o banco acredita que as metas traçadas pela Embraer para 2026 permanecem viáveis e estabeleceu um preço-alvo de US$ 106 para a ação até o final de 2027.
*Sob supervisão de Karin Salomão.
Isabella Scaramucci
Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, e atualmente estagiária no Money Times e Seu Dinheiro.
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