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Impacto da Redução da Jornada de Trabalho no Lucro das Empresas do Agro

Redação · 18 de out. de 2026, 18:17
Impacto da Redução da Jornada de Trabalho no Lucro das Empresas do Agro

Um estudo realizado pelo BTG Pactual aponta que a alteração na jornada de trabalho no Brasil poderá aumentar os custos operacionais para frigoríficos, usinas de açúcar e etanol, além de fabricantes de alimentos, impactando o lucro líquido dessas empresas de forma expressiva. Segundo a análise, intitulada "The Price of a Shorter Week (O preço de uma semana de trabalho mais curta)", estima-se que a mudança para a escala 6x1 acarretará uma despesa adicional de R$ 824 milhões por ano para a MBRF e de R$ 1 bilhão para a JBS. Já a M. Dias Branco poderá sentir um impacto de até 15% do lucro líquido projetado para 2027.

A investigação avalia empresas brasileiras dos setores de alimentos, bebidas e agronegócio, levando em consideração o custo para compensar as horas de trabalho que deixariam de ser realizadas com a redução da jornada sem alterar a carga salarial. Para as usinas de açúcar e etanol, foi incluída a necessidade de novas contratações para reorganizar os turnos de trabalho. O relatório assume uma diminuição gradual do limite semanal de trabalho de 44 para 42 horas, passados dois meses da promulgação da proposta, e para 40 horas, um ano após. Os cálculos são baseados em um cenário de implementação total e são comparados com as projeções financeiras das empresas para 2027.

Entre os frigoríficos, a MBRF se destaca como a mais afetada proporcionalmente, com uma estimativa de gastos adicionais de R$ 824 milhões, que correspondem a 6,8% do Ebitda projetado para 2027. Para a JBS, embora o custo adicional chegue a R$ 1 bilhão, isso representa apenas 3,2% do Ebitda previsto, devido à sua maior diversificação internacional. Já a Minerva enfrentará um impacto de R$ 104 milhões, ou 2% do Ebitda estimado. O BTG ressalta que o efeito sobre o lucro líquido é diferente para cada empresa, dependendo também da sua saúde financeira.

A situação é desafiadora para as usinas de açúcar e etanol, que têm uma maior proporção de custo com folha de pagamento (12% a 15% da receita), e a reorganização das jornadas é mais complicada pela natureza contínua das operações. A necessidade de aumentar o número de funcionários pode encarecer ainda mais os custos, com previsões de gastos adicionais de R$ 193 milhões para a São Martinho, R$ 48 milhões para Jalles Machado e R$ 104 milhões para a Adecoagro, representando 5,1%, 3,3% e 2,9% do Ebitda, respectivamente, para 2027.

Produtores de grãos e empresas que prestam serviços ao agronegócio, por outro lado, se encontram em uma posição relativamente estável. Estima-se que esses segmentos enfrentarão um custo adicional de R$ 71 milhões na SLC Agrícola, R$ 28 milhões na 3tentos, e cerca de R$ 8 milhões cada para Boa Safra e BrasilAgro.

Entre as indústrias alimentícias, a M. Dias Branco se destaca com uma das maiores sensibilidades a esses custos, com uma previsão de gastos de R$ 163 milhões, equivalente a 12,8% do Ebitda e 15% do lucro líquido projetados para 2027. A Camil também enfrentará pressão de R$ 53 milhões, correspondendo a 4,5% do Ebitda e 12% do lucro líquido. Em contrapartida, a Ambev tende a absorver os custos adicionais de forma mais tranquila, com uma estimativa de R$ 311 milhões, ou 1% do Ebitda e 1,2% do lucro líquido para 2027, considerando benefícios fiscais.

Os percentuais de reajuste necessários são pequenos, mas repassar esses custos pode ser difícil para as indústrias alimentícias devido à concorrência e à sensibilidade dos consumidores em relação aos preços.