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Investidores enfrentam perdas milionárias no RS por suposta pirâmide

Redação · 24 de out. de 2026, 14:42
Investidores enfrentam perdas milionárias no RS por suposta pirâmide

Nos últimos meses, muitos investidores observavam o crescimento de seus aportes financeiros por meio da internet, e, segundo relatos, conseguiam realizar retiradas com normalidade. Contudo, essa situação reverteu-se no final de 2025, quando a plataforma deixou de funcionar e os usuários afirmaram ter perdido o acesso aos recursos investidos.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Proteção aos Direitos do Consumidor da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a qual já contabiliza 21 queixas registradas.

As investigações averiguam a possibilidade de crimes envolvendo o Sistema Financeiro Nacional, além de indícios de estelionato e lavagem de dinheiro.

A delegada Milena Simioli, responsável pela investigação, revelou que a empresa não tinha autorização do Banco Central para operar como instituição financeira.

"Os dados coletados apontam para a possibilidade de um esquema de pirâmide", afirmou.

Esses esquemas costumam utilizar os investimentos de novos envolvidos para remunerar os mais antigos. Com a queda na captação de novos recursos, o sistema entra em colapso.

A delegada acrescentou que a investigação tem como finalidade esclarecer se houve a intenção de enganar os clientes para obter vantagens financeiras.

"Estamos analisando, com base nas denúncias dos próprios consumidores, se a empresa tinha a intenção de prejudicá-los para obter ganhos econômicos", comentou Simioli.

A defesa da Capittal X sustenta que a companhia atuou de maneira lícita desde 2019, e que os contratos deixavam clara a possibilidade de perdas financeiras.

Além disso, a defesa argumenta que foram feitas propostas de compensação aos clientes afetados, e que a empresa se colocou à disposição das autoridades para prestar contas.

Impacto nos investimentos de economias e aposentadorias

Entre os prejudicados estão servidores públicos, empresários e aposentados. Vários deles relataram que investiram economias acumuladas ao longo de anos.

Um investidor que preferiu manter seu nome em sigilo comentou que teve que adiar seus projetos por conta do ocorrido:

"Eu tinha muitos sonhos que precisei deixar de lado por causa disso."

Outro cliente expressou sua insatisfação ao mencionar o quanto perdeu, que praticamente representava todo seu patrimônio.

"Este era todo o dinheiro que eu tinha desde que nasci. Agora não tenho mais nada", lamentou.

Existem relatos de perdas que superam um milhão. Um dos investidores estima que seu prejuízo varia entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão, oriundos de suas economias e aposentadoria:

"Perdi muito dinheiro. Até agora, não conseguimos recuperar nada."

Outro cliente fez uma analogia ao falar de sua perda, comparando-a ao preço de um carro, ressaltando que investira em criptomoedas.

Os depoimentos também abrangem investimentos em dólar e ações, realizados por meio de transferências bancárias ou Pix para a companhia.

Posição da empresa

"Em resposta à solicitação via WhatsApp, a Capittal X esclarece que:

Desde 2019, a empresa atuou no mercado de criptoativos, como intermediária nas transações de compra e venda, sempre pautada pela transparência e boa-fé, informando aos clientes sobre os riscos desse tipo de investimento e a necessidade de cautela.

A companhia nunca prometeu retornos financeiros garantidos, em virtude da alta volatilidade do mercado de criptoativos. Ao contrário, a cláusula que alertava sobre possíveis prejuízos estava claramente destacada no contrato, assegurando que o investidor estivesse ciente das eventuais perdas.

Durante sua atuação, a empresa sempre enfatizou a importância de que o investidor atuasse com consciência e avaliasse os riscos, como demonstrado em prints de comunicações enviadas.

Após anos de resultados favoráveis, em 2022 a empresa começou a enfrentar dificuldades operacionais devido a eventos inesperados no mercado de criptoativos, como a falência da Exchange FTX e o colapso da TerraLuna, que afetaram até mesmo o setor bancário tradicional, levando a uma drástica redução da liquidez do mercado.

Em 2025, novos desafios impactaram as operações. A empresa sofreu perdas financeiras consideráveis e teve uma interrupção temporária de suas atividades em decorrência de uma ação de devolução interposta por um de seus clientes contra a Capittal X.

Adicionalmente, a conhecida "tarifaço" dos EUA contra a China gerou uma retração no mercado, comprometendo a saúde financeira da empresa e sua continuidade, resultando em perdas substanciais. Em janeiro deste ano, a empresa precisou encerrar suas operações.

Com a transparência que sempre foi um norte de suas ações, os sócios informaram prontamente clientes e colaboradores sobre a situação. Compreensivos ao delicado momento pelo qual passam os clientes e a própria empresa, os sócios definiram estratégias para apresentar propostas de compensação pelas perdas, que foram comunicadas a todos os usuários da plataforma por meio de e-mails e reuniões virtuais — embora a empresa sempre tenha reiterado os riscos das operações. Vale destacar que uma parte significativa dos clientes já firmou acordos de indenização patrimonial.

Além disso, os proprietários se comprometeram a colaborar com as autoridades para esclarecer os fatos, comparecendo sempre que requisitados pelo Ministério Público ou pela polícia, apresentando todas as provas necessárias para demonstrar que nunca agiram de má-fé ou com a intenção de prejudicar seus clientes.

A empresa reitera sua solidariedade a todos os clientes e permanece à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento necessário.

Porto Alegre/RS, 17 de outubro de 2026.

#delegada Milena Simioli#Capittal X#Fraude#lavagem de dinheiro