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Tenente-Coronel Rejeita Acusação de Feminicídio em Depoimento

Redação · 27 de set. de 2026, 19:27
Tenente-Coronel Rejeita Acusação de Feminicídio em Depoimento

Alegações em Interrogatório e Condições no Presídio

Em gravações dos depoimentos realizados à Corregedoria da Polícia Militar e à Polícia Civil de São Paulo, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto demonstrou emoção ao negar ter cometido o homicídio de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana. Ele se encontra custodiado no presídio militar Romão Gomes, enfrentando acusações de feminicídio e fraude processual. O oficial disse estar com a consciência limpa, insistindo que a esposa se suicidou e descreveu sua experiência na prisão como a de um "escravo", preferindo a morte a permanecer encarcerado.

O incidente trágico aconteceu em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal residia, no centro de São Paulo. Conforme a denúncia do Ministério Público (MP), o tenente-coronel disparou na cabeça da esposa após um desentendimento por ciúmes e pela negativa dela em aceitar o término da relação, depois simulando a cena do ato. O julgamento do réu está previsto para o dia 5 de outubro no Fórum Criminal da Barra Funda, e ele também está sob processo administrativo que pode levar à sua expulsão da força policial.

Explicações Sobre Mensagens, Vida Privada e Evidências

No decorrer do interrogatório, o oficial foi indagado sobre assuntos tratados pela perícia e mensagens encontradas nos dispositivos do casal:

  • Termos "Macho Alfa" e "Fêmea Beta": O tenente-coronel explicou que essas expressões eram piadas privadas e brincadeiras de natureza sexual entre eles. Ele também confirmou ter se relacionado sexualmente com Gisele antes de sua morte, justificando a omissão prévia pelo caráter íntimo do assunto.
  • Desaparecimento de Conversas: O investigado reconheceu que costumava deletar conversas do WhatsApp após desentendimentos para evitar "más memórias", mas negou saber a senha do celular da esposa.
  • Gravação e Lesões: Quando confrontado com um vídeo onde aparece com uma arma apontada para sua cabeça, sustentou que a imagem era fruto de manipulação digital. Acerca das lesões no pescoço mencionadas em laudo complementar do Instituto de Criminalística—que contestam a hipótese de suicídio—, o tenente-coronel negou ter causado tais ferimentos e sugeriu alternativas, como brincadeiras da filha da vítima ou intervenções no necrotério.

Narrativa dos Eventos e Conclusões da Perícia

Geraldo Neto afirmou ter conversado sobre a separação com Gisele no dia do incidente, o que teria causado a irritação da esposa e culminado em um empurrão contra ele. Ele relatou ter escutado um barulho enquanto tomava banho e, ao sair, encontrou a mulher caída. Contudo, laudos e relatórios do Instituto de Criminalística apresentados no processo reforçam que os indícios coletados no local do crime contrariam a hipótese de que o tiro teria sido dado pela própria vítima, indicando a possibilidade de feminicídio.