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Agentes de AI ameaçam empresas que se beneficiam da inércia

Redação · 28 de set. de 2026, 16:31
Agentes de AI ameaçam empresas que se beneficiam da inércia

Diversas pessoas já passaram anos atreladas a uma assinatura ou um serviço simplesmente pela falta de tempo ou predisposição para explorar novas opções.

Esse comportamento tem sido uma mina de ouro para muitas empresas que se beneficiam da inércia do consumidor.

Contudo, essa tendência pode estar mudando com a ascensão dos agentes de AI, que realizam tarefas que os humanos frequentemente evitam.

Em um artigo no Brazil Journal, o empresário Kiko Homem de Mello compartilhou que utilizou um agente para reaver o dinheiro de um curso, cancelar uma reserva no Booking e organizar vários compromissos simultâneos.

A recente popularidade do Muse, assistente de AI da Meta, está causando um impacto negativo nas ações de vários setores, como turismo, mídia, seguros e serviços financeiros, que historicamente se beneficiam da chamada inércia do consumidor.

A Goldman Sachs criou um índice que acompanha as ações de empresas que lucram com a falta de iniciativa dos consumidores, chamado consumer inertia basket. Entre as companhias presentes nesse índice estão Netflix, Booking, Expedia, Charles Schwab, Allstate e Planet Fitness.

Desde que o Muse foi lançado, há duas semanas, esse índice apresentou uma queda superior a 10%, diferentemente do Nasdaq 100, que, mesmo com um pequeno recuo, continua perto dos seus recordes históricos, impulsionado pelas empresas de AI.

A Planet Fitness teve uma desvalorização de 18% nos últimos cinco dias, totalizando uma queda de 62% desde o começo do ano.

O New York Times também experimentou perdas significativas, com uma diminuição de 13% nos últimos dias, enquanto a seguradora Allstate perdeu mais de 10% de seu valor. A Netflix, por sua vez, teve uma queda de 7%, acumulando perdas de quase 20% no ano.

Profissionais da Bloomberg Intelligence alertam que os agentes de AI podem até ameaçar serviços online que dominam seus respectivos mercados, como o Uber.

Esse deslizamento das ações reflete uma situação semelhante ao que aconteceu com as ações de software as a service em fevereiro, devido à concorrência dos agentes da Anthropic e OpenAI.

Em contrapartida, as ações da Meta saltaram 13% nos últimos dois dias, impulsionadas pelos downloads do Muse, acumulando um crescimento de 33% em 30 dias.

É o momento da Meta, conforme também mencionado pela CNBC.

Um analista do JP Morgan acredita que o Muse pode se tornar o aplicativo de AI mais popular, logo após o ChatGPT.

Leonardo Otero, fundador da Arbor Capital, uma gestora de ações globais, destacou que a Meta investiu fortemente em data centers e, ao contrário de startups como Anthropic e OpenAI, possui uma infraestrutura robusta para oferecer AI atuante.

“Se o uso dos agentes de AI continuar a se espalhar, como parece estar acontecendo, a Meta terá uma posição privilegiada,” comentou Otero.

A Meta conta com uma base de 3,6 bilhões de usuários que constantemente geram dados em plataformas como WhatsApp e Instagram; agora, com a introdução dos agentes de AI, os anúncios da Meta terão uma precisão ainda maior.

“O Muse foi muito bem recebido, e há evidências empíricas que indicam que é o melhor produto de AI agêntica já lançado até o momento,” concluiu Otero.

Nos Estados Unidos, o Muse ocupa a posição de maior download tanto na loja de aplicativos da Apple quanto na do Android.